Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Turismo

SEDEMATUR faz análise da infraestrutura e estrutura turística na T. I. Umutina

03/05/2021 ás 08:08:00
assessoria
Fonte: ASSECOM

Secretário de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Turismo visita aldeias da Terra Indígena Umutina/Balatiponé para analisar a infraestrutura que dará suporte à atividade turística.

A Terra Indígena Umutina/Balatiponé fica localizada a cerca de 15 quilômetros do município de Barra do Bugres, Mato Grosso, porém, dentro do território, encontra-se 10 aldeias dividas em localidades distintas, localizando cerca de 20 km da aldeia central, que é a referência principal – por meio de estrada originária (de chão batido). O Povo Balatiponé hoje é composto por cerca de 200 famílias moradoras fixas, porém, mais cerca de 200 pessoas moram fora, tanto por cauda do trabalho quanto para estudo, visto a dificuldade de transporte e deslocamento.

Cada aldeia é composta por um grupo de familiar que, ou se voltou para o espaço originário, chamado de ocupação territorial do seu povo, como a Massepô e a Upo, ou pelo grupo familiar ter uma cultura diferenciada, como na questão agrícola. O povo Balatiponé busca uma “proposta turística alinhada ao processo sustentável da relação entre sociedade, cultura e natureza, na perspectiva do Turismo de Base Comunitária, produção associada e economia solidária” (Plano de Visitação Turística na Terra Indígena Balatiponé-Umutina, 2020) – integrando as aldeias inseridas na proposta.

Com o objetivo de analisar como estão atualmente as questões de infraestrutura, estrutura ou até mesmo a cultura de cada aldeia, como as estradas que interligam uma aldeia à outra, a energia elétrica, a distribuição de água, as estruturas arquitetônicas tradicionais para atender os turistas e as atividades culturais propostas como um produto turístico para o Plano de Visitação Turística na T.I Umutina, o secretário João Sérgio Oenning, juntamente com a especialista em Ecoturismo Alessandra Ribeiro de Carvalho, o contador e coordenador do Centro de Atendimento Empresarial, André Luiz Ormon e a agente empresarial, estagiária da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) Leslie Gomes Boaventura visitaram na última quinta-feira (29/04/2021) a primeira etapa de análise, das aldeias que integram o Plano de Visitação: a Aldeia Massepô, a Aldeia Uapô e a Katamã.

Com apoio do Cacique da Aldeia Central Luciel Boroponepá e a equipe da aldeia Central, foi possível, com muita dificuldade, atravessar o rio Paraguai, visto que a balsa que faz esse trajeto estava encalhada. Esse meio de deslocamento do próprio povo Balatiponé, já de imediato, pode ser verificado que é um ponto crucial e muito deficitário para atender o turista, visto que não garante segurança e agilidade – mediante uma urgência e emergência, como no caso de acidente ou saúde.

O Secretário João Sérgio, de imediato, sobre a balsa comentou: “precisamos o quanto antes, trazer um meio seguro e mais adequado, não só para o turista, mas também aos moradores, visto a situação do jeito que está será prejudicial, para a qualidade de vida do povo Umutina, como para o escoamento de seus produtos, e assim, dificultando o desenvolvimento sustentável de todos”.

A primeira visita foi à aldeia Massepô, onde foram percorridos mais 19 km dentro da T.I. e, com isso tiveram a oportunidade de ver, que a estrada ainda está precária, precisando de manutenção e mais abertura nas laterais em alguns trechos, para, com segurança, os

moradores da Massepô poderem se deslocar. “Têm trechos da estrada que a mata já está fechando, bem como, locais que precisam fazer aterro, devido ser lugares baixos com buracos dificultando o tráfego com veículos. Em algumas curvas, podem acontecer até mais acidentes, como ocorreu em há pouco tempo”, salientou a professora aposentada e membro do Conselho Local de Saúde Umutina, da Terra Indígena Umutina, Maria Alice dos S. Cupudunepá.

No geral, por meio do relato do Vice Cacique Kupodonepá, da professora Maria Alice e dos moradores presentes na reunião, a infraestrutura e muitas das demandas solicitadas pela aldeia desde 2019 ainda não foram atendidas, o que dificulta até para manutenção da escola, que é extensão da Escola Estadual Jula Paré, e, ainda mais para receber visitantes.

A aldeia sofre com a falta de água potável, os moradores ressaltam que devido a seca do ano passado ficaram ainda mais prejudicados, com a questão relacionada à água. E a estrada é a principal via para o transporte da água potável que é transportada da aldeia Umutina até a Massepô. Na referida aldeia foi colocado um padrão para ligar a energia para a escola, porém até o presente momento, a referida escola utiliza energia de morador próximo da escola. A manutenção da rede elétrica na região precisa ser feita com urgência, pois a Energisa não dá um acompanhamento contínuo, e as árvores estão já ultrapassando alguns fios.

O Secretário se propôs a encaminhar e cobrar as demandas a seu respectivo setor e fazer um acompanhamento de perto, assim, como está fazendo nesse final de bimestre. Como lembrou a turismóloga Alessandra Ribeiro de Carvalho; “Essas demandas são cobradas há anos, e, em especial, janeiro deste ano, foi reunido todos os caciques e levantadas todas as demandas, o secretário de Infraestrutura estava presente e de agricultura também, porém, com a dificuldade que a prefeitura está tendo com maquinário, o agendamento de arrumar a estrada de março, veio para Abril, mas com o trator do jeito que está, não conseguirá fazer todo serviço”.

João Oenning relatou as propostas que tem para a área do turismo como um todo, principalmente integrando as aldeias em roteiros, e, aproveitando as suas potencialidades pra fazer atividades/produtos diferenciados, como a Massepô, que há cinco anos já recebe um grupo de turista que vem da argentina de caiaque, e pousam na aldeia. “A ideia é fazer circuitos locais, depois estender isso para circuitos maiores, e, aumentar o número de “caiaqueiros” interessados, e ir até a Aldeia Massepô”, descreveu o secretário, dentro de uma das suas propostas.

Foi muito interessante a visita a Massepô, pois a comunidade pode falar da história da comunidade, como seus ancestrais viviam na localidade, o porquê a família retornou a essa área e como estão se desenvolvendo desde seu retorno em 2013, mantendo-se com a economia solidária, com a valorização das tradições do povo originário e do cultivo de vários produtos da agricultura.

Já na aldeia Uapô, a reunião foi com a família do Cacique Dionísio Antônio Upadonepá. O secretário ouviu toda a história do povo da região Uapodonepá, e, ficou surpreso com a estrutura levantada pelo cacique e sua esposa, que veem há cerca de três anos fazendo uma mobilização interna na Terra Umutina para realização do Plano de Visitação Turística, conforme exigência da Fundação Nacional do Índio, bem como construindo uma estrutura

arquitetônica para o receptivo turístico, com uma estrutura de uma “pousada sustentável indígena” dentro do território, com cabanas construídas com materiais locais, com palhas para cobertura e madeira para fechamento.

Dionísio, como já recebeu vários consultores, hoje tem uma estrutura pronta para o turista, seja para área de alimento, como para atividades de trilhas, passeios de barcos entre outros, faltando apenas o fechamento do Plano de Negócio. André, que é o novo, se propôs a ajudar com o plano e ainda mais sugeriu, que cada aldeia tivesse sua própria associação, para conseguir desenvolver projetos e captar recursos de diversas fontes financiadoras – e que essa associação fosse ligada a associação geral.

Alessandra descreveu alguns editais abertos que podem atender a demanda da aldeia Uapô, como outras aldeias, precisando apenas de uma equipe técnica trabalhando em conjunto para captação de recursos e melhorias pra cada aldeia e para a Terra Indígena no Geral.

A última visita foi na aldeia Katamã, que fica cerca de 4 km da aldeia Central. Nessa sim, a estrada está mais que precária, com poças grandes, dificultado o tráfego dos carros e o deslocamento das quatro famílias que reside no local. O Cacique Luiz Fernando Colomezoré, que, em outros anos acompanhou todo o processo de implantação do programa Caminhada Internacional da Natureza, e também, outros projetos turísticos tanto na aldeia como fora da aldeia, ele retratou a proposta que pretende implantar com a “Aldeia Hotel”.

Apresentou o local que pretende receber os turistas, como o barracão central e a área onde está sendo levantadas as “ocas” e outras estruturas de apoio, como banheiros.

Alessandra Carvalho fez algumas considerações, principalmente na questão da implantação dos banheiros, e, considerou o projeto desafiador. Na oportunidade o Cacique Luciel, acompanhado por Éder Yukutarepá Kaimanepá, pôde apontar algumas de suas visões a respeito do turismo.

O secretário continuará visitando as outras aldeias que estão no roteiro do Plano de Visitação, e, a equipe dará esse suporte para finalizar, o mais cedo possível o Plano, para iniciar quando possível, o início das atividades.

Além das aldeias, outras comunidades serão visitadas pela equipe da secretaria, mas isso, dependerá principalmente do processo de vacinação que cada uma está passado.

Fotos
Compartilhe esta notícia!

Outras Notícias